terça-feira, 25 de maio de 2010

O QUE TE FAZ BEM?

Por Caroline Albanesi


"Gaivota" é gente como a gente, tem as suas preferências.

Pode parecer besteira, mas você já parou para pensar sobre O QUE TE FAZ BEM? Espantosamente a resposta afirma um pouco sobre nós. Há quem se sente bem matando, prejudicando o outro, existem aqueles que assim se sentem ao ajudar....
O "Gaivota", assim conhecido entre seus comparsas, diz que não há sensação melhor do que ganhar um jogo de pôquer. O administrador de um empreendimento no centro de São Paulo afirma não ser viciado no jogo, mas contraditoriamente, joga todos os dias: " chego e casa e já ligo o computador...tem dias que perco, outros que ganho, mas estes são mais raros!", brinca.
Quando pergunto sobre o que de mais importante existe em sua vida, ele responde: "minha família", e em seguida aproveito:"quanto tempo passa ao lado deles por semana?", ele retruca: " acho que umas 10, 11 horas...".
Parece que o pôquer está em vantagem... ganhou o campeonato: são mais de vinte horas semanais dedicadas ao jogo. Mas, afinal, o que mais importa mesmo, Gaivota? Não se esqueça dos resultados.

Soninha: a filha do mundo

Por Caroline Albanesi


Sônia Camargo*. Assim não quer chamar aquela que durante toda a sua existência atuou nos bastidores dos mundos alheios. Ela tem 32 anos, mas parece uma menina pelo jeito, aparência e, posso dizer, ingenuidade. Com estatura baixa, cabelos claros, pintados de ruivo "caju", sardas e pouco acima do peso, é assim que se apresenta, como a famosa e querida "Soninha".
Quem a vê não enxerga que por trás da aparência de menina, existe uma mulher que já guerreou contra os golpes da vida. Filha de uma chamada " profissional do sexo", que a concebeu aos 16 anos e que carregava não apenas um bebê no ventre, mas um passado de vícios e angústias, Soninha foi entregue pela sua avó materna à Tia Silvia*, que mesmo com a rigidez de senhora religiosa e tradicional, soube a amar como os vínculos sanguíneos determinam.
Apanhou, chorou, mas revolta com ela não teve vez. A disciplina impedia.
Conheceu Simone*, amiga dos parentes de São Paulo, quem a recebeu em sua casa e a fez sair de Ribeirão Preto, quando já formada no colégio. Com ela aprendeu a lição mais valiosa: a de fazer o bem.
Simone a levou ao sertão do nordeste para um trabalho social, onde pôde enxergar um novo mundo, com conflitos até então inimagináveis à menina. Gostou tanto do trabalho, que lá mesmo, no semiárido, ficou, atuando na ONG como uma verdadeira Amiga do Bem. Brinca com as crianças, cuida dos idosos e jovens, dos carentes de pão e de afeto, o que sempre teve de monte.
Hoje quem diria...família aqui e acolá. A menina a princípio "deixada" pela mãe é a filha do mundo, daqueles que ela conquistou pelo amor, laço que não se forma pelo corpo, mas pela alma.
Relembra dos tempos em que achava que nunca seria feliz: "me sentia estranha em todo lugar, parecia que pra mim não havia chão". Engano dela, aliás, "vai trabalhar, menina, que agora você é das terras do sertão".


* (os nomes foram substituídos para preservar as personagens)

A nossa motivação

`Por Manuela Carvalho

Motivação! Motive-se.. Atualmente é muito bom se sentir motivada e ter algum objetivo..
Mariana é persistente. Desde que eu a conheço ela queria ter um namorado! Hoje ela tem quase 21 anos, e hoje está fazendo 2 anos de namoro (EBAAAA!).
Todos os dias que a gente conversava, ela falava sobre como seria bom se ela se relacionasse com alguém, e desse certo! Depois de muita reza, simpatias e MOTIVAÇÃO ela encontrou o que queria. Preciso dizer o quanto considero importante essa motivação, pois as coisas não "caem do céu", é preciso subir até lá em cima para busca-las.

E para manter um relacionamento nos dias atuais está díficil! E namorar durante dois anos é bastante tempo!" Não podemos deixar o namoro esfriar!" Mariana conseguiu.. " Vejo meu namorado como único, sei que já estamos BEM CASADOS!" diz alegremente.

Sei que todos nós precisamos dessa motivação

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Alma Imoral

Por Vanessa Yazbek

A "Alma Imoral" é um livro escrito por Nilton Bonder e recentemente adaptado para o teatro, pela atriz Clarice Niskier. No livro, os conceitos de "corpo" e "alma" são traçados por uma nova perspectiva do autor, que desmonta os conceitos mais conhecidos desses dois termos, e inverte suas essências. A alma se torna a metade imoral do ser humano, enquanto o corpo é a parte moral, que está subjugada pela sociedade.
A peça está novamente em cartaz, no Teatro Augusta, às sextas, sábados e domingos, e vale a pena ser vista. Apresenta ao espectador uma nova forma de enxergar os outros, e a si mesmo, muito mais humana, verdadeira e crua.

Assista ao making off da peça aqui:
video


“A evolução da espécie está no silêncio do pai que ergue a faca para matar um filho por ordem divina e a detém. Um silêncio que cada homem e cada mulher conhece em sua vida pessoal e coletiva. Um silêncio desafiador, que responde a um impulso interno de sagrada desobediência, uma desobediência que o homem sonha em integrar à paz, à paz que não se fará no estabelecimento de um mundo ideal para um corpo imutável, não se fará através do clone, mas através do mutante, porque o nosso ser é um ser em transformação, tem alma e não é uma alma boazinha como nos fizeram acreditar, mas uma alma profundamente imoral e isso não tem nada de satânico. É que transformaram Satã num espantalho que nos afasta das mudanças. Satã é tudo aquilo que nos embota os sentidos e que nos embota a consciência – é que é mais fácil e conveniente apresentar Satã como um possível resultado do risco do que o apresentar também como o pesadelo da acomodação. Se os que mudam radicalmente de emprego, se os que refazem relações amorosas, se os que perdem medos, se os que rompem, se os que traem, se os que abandonam os vícios experimentam a solidão é possível que essa solidão seja quebrada no encontro com outros que conheçam essas experiências. Haverá pior solidão do que a ausência de si?” (Nilton Bonder - excerto do livro 'A Alma Imoral')

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Crianças Invisíveis

João e Bilu; eles têm um pouco da cara dessa cidade, desse Brasil.

Por Sabrina Fantoni

Crianças invisíveis é um filme do aclamado cineasta Spike Lee e mais 7 diretores, dentre eles a diretora e produtora Kátia Lund -cujo principal trabalho foi em Cidade de Deus, filme de Fernando Meirelles.

Considero-me suspeita pra falar sobre esse filme que me foi apresentado em 2006, numa aula de sociologia quando eu estava no segundo colegial. Dentre várias histórias, de alguns países como Estados Unidos e Itália, a do Brasil, do João e Bilu, é sensacional; é de uma verdade e sensibilidade irrefutável, além da fotografia magnífica e de todo conteúdo social ideológico por trás mostrado de uma maneira cativante e acolhedora. Ora alegre, ora desconfortável. O intuito é realmente incomodar, fazer pensar e analisar a discrepância cultural e econômica presente nessa cidade, na qual, analogamente, foram criadas fronteiras imaginárias e impostas, sobretudo como na África colonizada, entretanto aqui elas ergueram-se verticalmente, não só cultural e socialmente como fisicamente. A principal imagem de "João e Bilu" é a fotografia dos edifícios luxuosos localizados na Marginal Pinheiros cujos tem como paisagens favelas que estão a alguns metros de distância.
A simplicidade e bondade marcada na personalidade dos protagonistas contagiam até mesmo a pessoa mais cética e alheia. Dois meninos espertos, determinados, lutadores e sempre com um sorriso no rosto, com uma carta na manga. Aquela peculiaridade bem brasileira, que rebate a ideia de que brasileiro é acomodado e preguiçoso; pelo contrário! João e Bilu são o retrato do típico brasileiro que vai a labuta, logo de manhã e volta pra casa só no fim do dia exausto mas com a sensação de dever cumprido. Pra mim, brasileiro acomodado é aquele que reproduz os discursos manjados e padronizados, que mal sabe da história de seu povo e seu país e prefere se conformar com a lavagem cerebral imbuída e calcada nos nossos pré-conceitos ufanistas e edenistas, baseado também na educação familiar e nas relações sociais.
Fato é que poucos brasileiros regozijam-se da abundância cultural de sua pátria; há uma relação de amor e ódio, de pertencimento e não pertencimento, de identificação e não identificação com as características desse país. Mas posso lhes adiantar que João e Bilu faz com que nos apaixonemos um pouco mais pela cara desse Brasil tão misturado, heterogêneo e também desfigurado.
Dói. Dói de verdade quando vejo que algum brasileiro odeia o Brasil, me ofendo. É por esse motivo que não esqueço nunca das aulas de Cultura Brasileira do segundo semestre que aprendemos tanto sobre nossas raízes, sobre Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes e Gilberto Freyre; Chicos, Marias, Joãos e Josés.
Meu Brasil presente nas massas e maçãs de Almir Sater; no velho e invisível Avohai de Zé Ramalho; no amor malfeito depressa de Chico Buarque; a Juliana do joão e do josé de Gilberto Gil; no sonho e no pó, no destino de um só de Renato Teixeira...

A beleza se faz presente nos discuros proferidos, nas palavras escritas; a beleza que não é vista em gente como João e Bilu, que não é cantada, mas contada e mostrada da maneira mais verdadeira e simples. Gente invisível que está tão presente no nosso dia-a-dia e que passa despercebida; só conseguimos enxergar a beleza se assim nos é encaminhado e apontado pelo olhar do outro. Crianças invisíveis é um filme que grita a beleza e a pureza em meio a sujeira e a podridão. Quase como uma flor de lótus com suas pétalas auto-limpantes, as crianças ao redor do mundo mesmo com medo, dor e insegurança, transmitem o dom da vida frente ao caos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A música da rua

Por Vanessa Yazbek

Assim como todo mundo, acabo passando diariamente pelos mesmos lugares, fazendo o mesmo caminho, e vendo quase sempre as mesmas pessoas. O que muda é o tempo, e os rostos dos transeuntes que caminham lado a lado na Paulista, e que dividem a mesma calçada por determinado momento. Esses rostos são esquecidos assim que desaparecem na próxima esquina, e logo são subtituídos pela atenção em outro rosto, num cachorro passando, ou em alguma música do meu mp3, que também tem minha atenção por menos de quatro minutos, e logo muda. É difícil manter na memória tudo que se vê quando se caminha por ali, afinal, são aproximadamente 1,5 milhões de pessoas que circulam diariamente por aquela avenida. Algumas coisas, porém, ficam, e geralmente são aquelas que chamam a nossa atenção por destoar no contexto geral da paisagem, ou que prendem nossos olhos e despertam algum real sentimento, além da indiferença.
Foi numa dessas andanças que eu acabei percebendo um mendigo e seu cachorro. Na primeira vez que os vi, o mendigo estava de pé em cima de uma das lixeiras quadradas de concreto que ficam numa das calçadas perto do metrô Consolação. Ele tinha um fone de ouvido enorme na cabeça, e tocava uma harpa imaginária que parecia pairar na sua frente. O cachorro, como o bom companheiro que é, estava sentado ao lado da lixeira, feliz da vida na presença do seu dono, e balançando o rabo pra qualquer e todo passante. Mas ninguém parecia ver aquela cena, cruzavam com apatia o mendigo e o cão, que pra mim, criavam um mundo a parte dentro daquele caos de pessoas, passos e pensamentos. Eu entendi o fato do descaso com o mendigo e seu cão, pois apesar de tudo, só na cidade de São Paulo (de acordo com o senso do ano de 2009), são 13.666 pessoas em situação de rua, o que faz com que essa situação se torne corriqueira aos nossos olhos. Apesar disso, eu não pude deixar de parar e observar por um bom tempo.
Fiquei imaginando o que aquele mendigo ouvia, e fiquei desejando poder ver aquela harpa também. A imagem me tocou de uma forma nunca mais esqueci disso, mas tive que retomar logo o meu caminho, e continuar a andar.
Desde esse dia, um bom tempo já se passou, e algumas vezes cruzei com ele de novo (sempre o via com o grande fone de ouvido), mas a pressa sempre me impeliu a passar reto, como a maioria faz. Há pouco tempo atrás, porém, num dia-feira qualquer, na mesma calçada, eu vi um grupo de pessoas, uma câmera na mão, um microfone e sorrisos nos rostos. Na frente delas, com pose de importância e sem esconder um certo brilho nos olhos, estava o mendigo, segurando seu cão pela coleira e discorrendo sobre algo, com imponência, no microfone. Meu sorriso se abriu de imediato, mas eu não pude parar pra entender direito o que estava acontecendo, tinha horário pra chegar na aula, e já estava alguns minutos atrasada, mas jurei pra mim mesma que algum dia ia voltar lá, sentar na calçada com aquele desconhecido, e fumar um cigarro, lado a lado, só pra ouvir suas histórias de vida e saber mais sobre a música que toca no seu fone.
Prometo que o dia que isso acontecer, posto nossa conversa aqui pra vocês. Enquanto isso, se alguém cruzar por lá e tiver mais notícias dele, que me avisem.

Só pra se situar:
http://www.vademetro.com.br/consolacao

O transporte público que a gente enfrenta

Por Gabriela Montesano

Todo santo dia pego o trem ou sou levada pra dentro dele, involuntariamente; ainda não sei definir. De manhã tenho o prazer da companhia da Júlia, que me dá carona até a faculdade. Mas, sem contar os dias em que consigo aquela carona inesperada, faço um longo caminho para voltar pra casa, precisando de um ônibus e um trem pra chegar ao destino final em que descanso (ou não).
Com tanta gente que pega aquele trem da linha esmeralda às 18h, encontrei alguém que chamou a atenção de todo mundo por alguns minutos e fez nossa viagem um pouco menos desagradável. Semana passada, o vi novamente. E digo que é muito fácil notar a sua presença; garanto que o vagão inteiro notou. Não faço ideia do seu nome e acho que seria difícil descobrir, porque todas as vezes que o encontrei, ele estava no vigésimo sono. Nada discreto, roncava tão alto que o vagão inteiro parava pra ouvir. Todo mundo ria. Variavam de risadas altas a baixas e discretas.
Lá estava eu, sentada bem em frente ao tal roncador, imaginando o que acontecia para ele não acordar em hipótese alguma. Pensei que o nome dele talvez pudesse ser Mário (adotemos o nome, então).
Mário deve ter uns 20 anos, é aparentemente alto e pesa mais do que os padrões que a mídia estipula, mas nada que salte aos olhos de chatos de plantão. É oriental, talvez de família japonesa, pelo jeito dos olhos puxados. Sempre está com camisa e calça social, e seu sapato, confesso que nunca reparei. Acho que Mário estuda e trabalha, talvez na área de engenharia. E deve acordar cedo, por volta das 5h da matina, por isso está sempre tão cansado. Ele se apóia na janela do trem e ali reluta pra se manter acordado. Sua cabeça desliza várias vezes e o ronco aumenta quando isso acontece, então ele volta à janela e continua seu sono ininterrupto - enquanto todos continuam a rir durante a viagem. Confesso que eu deixei aquele risinho envergonhado escapar algumas vezes e troquei alguns olhares de dó com outros espectadores.
Quando o trem chega ao ponto final, Mário não acorda e todo mundo sai rindo e comentando sobre o sono pesado do rapaz. Então, aparece o segurança que fica nas estações, faz um esforço grande pra acordá-lo e não assustá-lo e avisa que ele chegou ao destino final. Mário calmamente se levanta e deixa o vagão, sem imaginar o que aconteceu durante a viagem.

Esse post me lembrou um que a Camila Caputti escreveu no SÃO outros PAULOs há um tempinho atrás, sobre a diversão que a viagem de ônibus nos proporciona! Confere AQUI!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A rua tem cultura!

Por: MANUELA CARVALHO


Anderson luta pela inclusão social de moradores de rua.

"As pessoas não acreditam que a rua tem cultura e organização. Acham que lá só tem drogados e bêbados, porém a maioria das pessoas começam a se drogar quando já estão lá." diz Anderson Miranda Lopes, coordenador geral do Movimento Nacional da população de Rua - SP.

Ele tem 34 anos e morou nas ruas de São Paulo por 15 anos. Nessa mesma época foi treichero ( palavra usada para os moradores que se locomovem a pé de um estado para o outro) passando pelo Rio de Janeiro e Bahia.

Em uma viagem, Anderson diz ter andado durante 2 meses de São Paulo até a Bahia, e conta que só conseguiu por causa da soliedariedade das pessoas que encontrava. "Elas sempre me davam algum alimento, é muito bom ver quando as pessoas se importam com você". O motivo da viagem foi a violência da cidade paulista. "Em São Paulo, a guarda metropolitana civil trata os moradores em situação de rua muito mal". Ele saiu da rua por causa da motivação da atual companheira.

O Movimento Nacional da população de Rua é a sua maior e melhor luta, e vive em busca dos direitos da população de rua,
Todos os meses, Anderson reúne os moradores em situação de rua para escutar reclamações e denúncias. A PLENÁRIA FALA RUA sempre é aborda alguma pauta, que envolve cultura e informações importantes.

"Estou a favor das pessoas, quero justiça!"