quinta-feira, 29 de abril de 2010

Solas gastas, como a gente.

Por Vanessa Yazbek

Ultrapassando as fronteiras geográficas, e certo pré-conceito, que não deixa de ser uma fronteira criada por nós mesmos, o lado de lá do Atlântico não parece ser assim tão distante.
Na região Sul dos Estados Unidos da América, estado da Flórida, dentro de uma cidadezinha chamada Kissimmee, que fica no condado de Osceola, vive William Travor Willis - 22 anos, e muita vida nas costas.
Assim como é costume nos Estados Unidos, ele saiu de casa cedo, aos 19, pra tentar viver a vida longe da proteção dos pais.. seu primeiro verdadeiro emprego, conseguiu 3 dias depois de se formar no Ensino Médio, aos 18 anos. Trabalhava numa empresa de produção, e por sua competência, logo subiu de posto e virou gerente. A empresa fabricava grande parte dos grandiosos cenários utilizados nos parques da Disney, ajudando a construir parte daquela magia e sustentar a fantasia estética que os parques temáticos de lá criam. Porém, a beleza ficava só do lado de fora, pois ele trabalhava mais de 60 horas árduas por semana; nunca reclamou, apesar disso, pois era o que pagava (muito bem) o pão que comia. Ele ganhava o suficiente para ter o precisasse, e ficou lá até os 21 anos, quando os problemas econômicos de seu país bateram à porta e trouxeram uma má notícia.. Por causa da crise de 2008, a empresa em que trabalhava teve que demitir grande parte dos seus funcionários (essa história lhe soa mais próxima do que o normal?), e ele, por ser um dos mais novos que trabalhavam lá, teve que ir embora também.
(Pra entender melhor: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/crisenoseua/ )
Acabou ficando um ano desempregado, apesar de tentar todos os dias conseguir um novo emprego. A situação não era nem um pouco favorável, e a economia parecia estar conspirando para que nada desse certo. Passou por todas as frustrações e desgostos que todo mundo passa, perdeu as esperanças, chorou, cogitou pedir ajuda e dinheiro, mas não o fez. Levantou e não desistiu (parece até coisa de brasileiro).. até que uma oportunidade apareceu. Podia não ser o melhor dos empregos, o salário mais tentador ou a rotina mais animadora, mas era um trabalho, era digno, e era seu. Agarrou (como qualquer um de nós faria), e deu o melhor de si. Voltou a trabalhar, e a trabalhar, e a trabalhar...
Ainda está empregado lá hoje, e faz por merecer. Mas sonha com o dia em que vai ter a oportunidade de voltar a fazer algo que goste e lhe traga melhores frutos. Não queria ter só que trabalhar pra poder se sustentar, sente que a vida é muito mais do que isso, e mostra certo desânimo em relação a sua atual rotina, mas diz que por enquanto é a única coisa que se pode fazer. Além disso, diz não acreditar no 'American Dream', e acha isso tudo uma grande bobeira.
Will pode ser de longe, mas o que carrega dentro de si é tão próximo quanto qualquer vizinho.
Essa história dava samba, mas prefiro colocar o link pra uma música que tenha as mesmas raízes que Will, e que transpareça a sua história e de muitos outros americanos da classe média. Do Sul dos Estados Unidos, com influências do country, blues e rock and roll, Lynyrd Skynyrd - Workin'.
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E pros interessados, a letra:
http://vagalume.uol.com.br/lynyrd-skynyrd/workin.html
Vale a pena ;)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O problema financeiro que todos nós temos


Por Manuela Carvalho

Desta vez a nossa história começa diferente pois Cláudia não quer ser gente como a gente.
Cláudia tem 50 anos, e é solteira. O fato de ser solteira não a deixa tão triste. O maior problema de sua vida é não conseguir ter se concretizado financeiramente, no ambiente do trabalho. Até os dias de hoje Claúdia depende de seus pais. E revela " Não quer ser um peso para ninguém, o dia que meus pais falecerem- eu também vou"

Depois de nossa entrevista, eu fiquei pensando - Como uma pessoa consegue anunciar sua morte? - E porque então ela não começa estudar?

Desde pequena ela sempre teve dinheiro, sua família era bastante rica. Naquela época as mulheres eram criadas para casar, e não estudar. Foi assim que aconteceu com Claúdia, ao invés de estudar na faculdade - ela fazia cursos de como ser uma ótima mulher- Aprendeu a cozinhar, costurar..
Com o passar dos anos, sua família perdeu bastante dinheiro e Cláudia não se casou. Ela mora com seus pais desde pequena e não irá se mudar tão cedo. "Me sinto triste por não conseguir ter minha própria casa".

Mas o que será que Cláudia faz durante seus dias?

Ela tentou trabalhar durante uma época, mas não via muito futuro nas empresas. Além de passar o dia na Internet tentando vender e revender coisas, ela é uma ótima cozinheira- é quem pilota o fogão de casa. "Não quero abrir um restaurante, prefiro cozinhar para amigos"

Há sete meses frequenta um psicólogo, e espera pelos resultados. " É complicado viver assim, em depressão, mas penso que daqui a pouco só coisas boas irão aparecer!"

E é assim que Cláudia vive.




Dúvidas sobre depressão

Cura da depressão

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SÃO outros PAULOs

Por Gabriela Montesano

SÃO outros PAULOs também são Gente como a Gente!

Estamos com algumas novidades pra sair no blog em breve! Enquanto não estão prontas, vou compartilhar uma dica que peguei no SÃO outros PAULOs, que tem tudo a ver com gente.
Hoje, a Mari postou sobre um evento que está rolando em São Paulo e que pode ser do seu interesse: o Whisky Festival, com muita música, comida e filmes no estilo escocês!

Confiram AQUI a matéria!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Animal, empático, como a gente.

Por Sabrina Fantoni


Frans de Wall estudou biologia na Holanda, seu país de origem; é considerado um dos mais importantes primatólogos do mundo e já escreveu mais de 6 livros para o público leigo. Neste vídeo ele fala sobre neodarwinismo, sociedade capitalista e a empatia presente nas relações animal-humana
video
Estou terminando de ler um livro, que nos foi indicado pelo nosso querido e estimado professor de comunicação e cultura, Fernando Salinas, logo no início do curso: Eu, primata - porque somos o que somos, do primatólogo Frans de Waal lançado em 2005.
Inicío esse post com o vídeo do autor falando sobre o assunto que quero tratar aqui: Empatia.
O conceito desse termo basicamente é: sentir como se fosse o outro; entender e se propor a sentir aquilo que o outro possa estar sentindo em determinada situação. A empatia começou a ser estudada recentemente pela ciência, pois antes consideravam-na algo relacionado à misticismo ou espiritualidade; hoje entende-se como uma das características evidentes da nossa condição humana.
Devo reiterar que é explícita não só nas relações humanas -embora na nossa espécie seja mais desenvolvida, desde os primeiros anos de vida- mas também nos animais, principalmente mamíferos. O principal pensamento que tirei dessa obra é do porque assimilamos a brutalidade humana com a selvageria animal. E quando algum animal -geralmente cães, macacos- pratica um ato "heróico" é reverenciado como humano, e tratado como algo inacreditável um ser irracional ser solidário e se prontificar para ajudar alguém da mesma espécie ou nao. Casos assim são quase que frequentes na mídia, como se fossem excepcionais e de grande relevância, como o do cachorro que pulou na frente de uma cobra quando percebeu que essa iria atacar seu dono -um menino ainda criança- e recebeu, assim, o veneno no lugar dele.
Penso que devem, sim, ser noticiados casos assim, entretanto, não tratados como algo inédito, pois essa solidariedade e ímpeto não se restringem somente aos humanos.
Foi construída uma estética de pensamento, classifico eu, de maniqueísta; o belo e o feio, o certo e o errado, o humano e o animal. A violência, brutalidade, competição e a insanidade nos é inerente, no entanto atribui-se todas essas características aos animais irracionais; ao passo que também é inerente a nós a generosidade, a empatia, a bondade e a resignação, essas também presentes e inerentes aos animais embora nunca lhes darmos esse crédito.
Frans de Waal destaca que não só somos tão selvagens e cruéis quanto os animais, como podemos ser mais brutais do que eles. Porém, também podemos ser muito mais bondosos, gerenosos e empáticos.
Amo os animais; vivo falando que não gosto de gente mas me contradigo nesse ponto o tempo todo. Certa vez, eu e Vanessa Yazbek fomos comprar roupas, entramos numa loja e saímos sem levar nada. O vendedor foi muito educado, sem aquela afobação de querer vender, havia apenas uma simples boa vontade de atender bem à um cliente, tanto que quando fomos embora ele deu um sorriso verdadeiro e nos chamou de "meus amores" logo que o agradecemos pela atenção. Saímos de lá nos olhando com um ar de satisfação que nao conseguimos não comentar sobre o ocorrido até que soltamos um "Ah, fofo..." na mesma hora.
Houve também um fato que aconteceu comigo, inesquecível. Estava eu no ponto de ônibus indo para o Mackenzie quando fui abordada por uma velhinha de 84 anos; ela aproximou-se e falou: "Oi, meu anjo lindo de vermelho e branco" e começou a me contar de sua vida, de situações fortuitas e pediu pra eu nunca desanimar seja lá por qual motivo fosse. Ela sabia que eu estava aguardando meu ônibus e quando eu olhava para o lado para verificar se ele já estava chegando, ela mesma se prontificava para me avisar assim que avistasse o Praça Ramos. Não me esqueço da doçura presente em seu olhar e na simples vontade de expressar o que sentia naquele dia, distribuindo sorrisos pra quem quer que passasse ou parasse no ponto. Todos a observavam com carinho, como se fosse uma criança linda. Aquilo simplesmente fez o meu dia, pois pude ouvir alguém que simplesmente queria me contar algo, além de toda simplicidade e generosidade que absorvi daquela pequena senhorinha. Creio que esse foi o ápice da empatia que já vivi nesses 20 anos de idade.
Fato é que muita gente não teria dado atenção para a velhinha ou ficaria ouvindo-a de má vontade; ás vezes até eu poderia estar num dia terrível, nada disposta para conversas fortuitas num ponto de ônibus, mas ela simplesmente me ganhou, e olha que eu nem sou tão bem humorada assim.
Tem um trecho do grande clássico de George Orwell - 1984, que para mim, é o exemplo cru de empatia; não de humano para humano, mas sim de humano para com a natureza, uma força maior, àquilo em que acreditamos e que nos move:
“... -Os homens são infinitamente maleáveis [...] são inermes, como os animais. A humanidade é o partido.
-Não me importa. No fim haverão de vos derrotar. Mais cedo ou mais tarde verão o que sois, e então vos estraçalharão.
-Vês algum sinal de que isso aconteça? Alguma razão para que aconteça?
-Não. É o que acredito. Sei que falhareis. Há algo no universo... não sei o quê, um espírito, um princípio, que nunca podereis vencer.
-Acreditas em Deus, Winston?
-Não.
-Então o que é esse princípio que nos derrotará?
-Não sei. O espírito do Homem.
-E tu te consideras homem?
-Sim."
Talvez o vocalista da banda Nirvana, que se suicidou em 94, Kurt Cobain tenha cometido tal ato pela apatia e falta de perspectiva em si enquanto homem, ou também, enquanto homem e sociedade. Pode ser que pela ausência de empatia que em sua carta de despedida ele escreveu essa palavra muitas vezes no final de seu texto...
Empatia, empatia, empatia...
Assim como a criança de 2 aninhos que chora ao ver o amiguinho chorar; assim como o cão que se prontifica a lamber as lágrimas de seu dono, assim como um gorila que fica transtornado -mesmo em sua condição de selvagem- ao perceber que feriu alguém de sua espécie, ou nao; Assim como eu fico desesperada ao ver minha mãe inquieta por não saber onde meu irmão se enfiou; ou aquela sua amiga que está sofrendo por amor e você se pudesse faria de tudo para aliviar a sua dor.
Por fim, a empatia consolida nosso estado de ser humano-animal, e consolida o estado do animal-ser humano.

Ele sempre foi gente como a gente.


Por Manuela Carvalho

Paulo Cezar é gente como a gente. Ele se assumiu, mas o que é se assumir diante dessa sociedade? Desde pequeno Sérgio sempre foi assim, sempre se sentiu "diferente". Até a oitava série, não tinha amigos. Ninguém queria se sobressair e ser amigo do "diferente". No colegial, as pessoas eram mais abertas - mas mesmo assim ele não era totalmente aceito. Muitos colegas eram "diferentes" e não se assumiam, MAS ele SIM - ele se assumiu.
Aprendeu a viver sozinho, naquele mundo as pessoas eram muito quadradas, fechadas. Quando ingressou na faculdade, descobriu novos colegas, novos mundos! Não havia aquele clima escolar, todos se respeitavam. Conheceu nova gente, gente "diferente".
Hoje se diz feliz por ter assumido o seu rumo. "Se Deus me perguntasse o que eu gostaria de ser- heterosexual ou homosexual, eu escolheria ser assim, do jeito que eu sou!", revela Cézar.
Ele se assumiu para uma parte da familia, outra ele ainda espera. Não tem pressa, oportunidade é o que não falta. Alguns não querem saber sua opção de vida, outros tiram inúmeras dúvidas. As pessoas ainda olham torto para ele, mas elas não entendem essa questão está muito além de uma escolha.
A igreja não aceita, os machistas não aceitam, grande parte da sociedade não aceita. Posso dizer que os gays assumidos são muito mais homens- fortes do que muita gente por ai. Eles se assumem! Vão contra muita gente e são felizes!
Desde pequena conheco Paulo, e posso dizer que ele nasceu assim. E fico muito feliz por ele ter se realizado e mais importante se assumido. É imensamente díficil se assumir "diferente".


Veja um vídeo sobre DIREITO DE SER GAY

HOMOFOBIA

PERSONALIDADES GAYS

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ele é e precisa de gente como a gente.


Por Manuela Carvalho

Ele é e precisa de gente como a gente - Ninguém faz sucesso sozinho, o livro da trajetória de Antonio Augusto Amaral de Carvalho diz muito sobre o que é ser o "TUTA".

SUA HISTÓRIA: AAA de Carvalho, mais conhecido como Tuta, é considerado responsável por inúmeras transformações no rádio e na Televisão.
O sangue quente já era tradição, seu pai era o Paulo Machado de Carvalho, advogado e empresário que fundou a TV Record.
Atualmente Tuta tem 78 anos, e trabalha todos os dias na rádio Jovem Pan. Desde manhãzinha ele anda de um lado pro outro pela emissora, portanto uma dica: é extremamente díficil encontra-lo em sua sala.
Sua carreira começou com 21 anos, quando começou na Rádio Panamericana ( atual Jovem Pan). 1953 Tuta deixou o rádio para transformar a televisão. Foi então que criou e dirigiu na TV Record alguns dos programas históricos da televisão brasileira, como “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Família Trapo”, “Hebe”, “Show do dia 7” e muitos outros que marcaram época. Aaaa, não posso me esquecer que além de tudo isso ele também inovou a cobertura esportiva da TV - fazendo as as primeiras tomadas do público nos estádios.
Em 1964, AAA de Carvalho, retomou a direção da rádio Panamericana - mudando seu nome para "Jovem Pan". No seu processo de transformação do rádio, fez vários programas com os ídolos de MPB, e em algum tempo depois, introduziu programas jornalísticos e de prestação de serviço.
Já faz 35 que está na rádio, e ele ainda está escrevendo e mudando a história da mídia.

Tuta já recebeu por dez anos consecutivos o Prêmio Roquete Pinto, mais tarde recebeu o Tupiniquim da TV Tupi, o Prêmio Governador do Estado.
No ano de 2009 A Associação Paulista dos Críticos de Artes (APAC) concedeu a ele o “GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA.
Poucos sabem: Tuta nunca gostou de se expor, portanto o primeiro prêmio que ele recebeu pessoalmente foi o APAC em 2010.



Saiba poco da estréia do livro

Veja o discurso de Tuta no APAC

sábado, 10 de abril de 2010

Augusto Cavalcante: jovem e obeso

Por Caroline Albanesi

Augusto é gente como a gente, não pode mudar o mundo, mas tenta mudar a si mesmo.
Augusto Cavalcante é um adolescente comum, que se interessa por garotas, amigos e música, mas é visto de forma diferente, pesa 127 kg. O garoto só tem 15 anos e já vive drama de adulto, se diz infeliz por comer demais, mas come cada vez mais por estar infeliz.
Numa sociedade em que a aparência sobrepõe os valores éticos do homem, um jovem obeso não passa de uma anormalidade para muitos que ainda enxergam o mundo com grandes restrições.
Augusto é meigo, tem tanta vergonha de ser visto que sua fala é contida e o olhar cabisbaixo. Suas mãos estão sempre molhadas de suor e seus ouvidos já se acostumaram com os infinitos apelidos maldosos que surgem das bocas de seus "colegas" de colégio: "baleia", "elefante", "gordo obeso", e o pior até hoje, na opinião do garoto, que foi "nojento", quando a partir de então, passou a se sentir assim.
Sente-se culpado por estar vivo, e afirma que comer hoje é uma necessidade e não prazer: "Sempre que coloco alguma coisa na boca todos olham e pensam que não deveria estar fazendo aquilo". Augusto não sente mais o gosto do alimento, mas o peso de culpa que cada migalha lhe causa.
Seus pais, dona Marília e seu João, não sabem mais o que fazer. O casal, proprietário de um empreendimento em São Paulo, faz terapia em grupo na companhia de seu filho, mas diz não poder mudar o mundo. A relação dentro de casa hoje é outra, além de alimentos saudáveis, muita conversa para aproximar o filho dos pais e distanciá-lo de suas constantes crises de angústia. Augusto concorda, hoje vive muito melhor, reconhece a grandeza que existe dentro de si mesmo e busca combater os excessos de seu corpo por meio de uma alimentação equilibrada, exercícios e muita autoestima. Afinal, o exercício mais importante é aquele que vem de dentro e se reflete no exterior, é a beleza que não tem idade e nem peso, mas que vale muito.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A sombra da sua sombra



Por Sabrina Fantoni


Acordava bem cedinho para aproveitar o café fresquinho e o pão quentinho. Aquela manteiga gorda e o leite espesso, direto da vaca; eu era capaz de sentir o gosto e a textura só de imaginar. A poeira e o cheiro de cana queimada contribuíam para a sensação quente e seca de Ribeirão Preto, cidade onde alguns dos Fantonis da minha família se firmaram e continuaram suas vidas. Eu me preparava para voltar pra São Paulo das férias de julho que havia passado lá, quando, ainda na mesa do café, meu primo tira de sua pasta um presente para mim; era um cd gravado com as canções de Nina Simone, uma grande cantora de Jazz dos anos 50, norteamericana. Como sempre soube do bom gosto musical de meu primo, Tim, sabia que era algo no mínimo respeitável.
Dona de uma voz maravilhosamente negra, com aquela peculiaridade e entonação grave, Eunice Kathleen Waymon Adotou o nome Nina, que veio de pequena (little one)e Simone por causa de sua atriz preferida, Simone Signoret, grande nome do cinema francês.
Nascida em 1933, na Carolina do Norte, ficou mundialmente conhecida por sua interpretação de "My baby just cares for me", e uma das mais lindas versões de "Ne Me Quitte Pas" de Jacques Brel também cantada por Nina.
Mulher de fibra, recusou-se a viver em seu país de origem pois não aceitava continuar morando num lugar onde sua "raça" não era respeitada; cantou no enterro do pacifista Martin Luther King e sempre foi muito envolvida na questão do preconceito racial. “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963.
Foi pela batalha dos direitos civis que, segundo a própria, seus amigos se foram, dentre eles Stokely Carmichael, Malcolm X e Luther king. Apesar da sua força e determinaçao, na sua vida íntima, ela que era casada com um policial nova iorquino era espancada pelo próprio marido.
Nina compunha a lista das mulheres negras de belíssimas vozes do Jazz. Assim como ela, podemos citar Sarah Vaughan, Billie Holiday e Ella Fitzgerald. Essas que mudaram o cenário musical da época, revelaram o poderio da voz feminina e das mulheres no comando. Depois delas viriam muitas outras que se tornariam referência mundial, como Aretha Franklin e Etta james.
Em 21 de abril de 2003, aos 70 anos, Nina morre dormindo, de causas naturais, em sua casa de Carry-le-Rouet, no sul da frança. Assim como todo mundo, a cantora bem sucedida e reconhecida mundialmente, também tinha suas inseguranças, medos e fraquezas. Nina também era gente como a gente, mas era A Nina.

Gente como a gente se mobiliza!

Por Manuela Carvalho.

Gente como a gente está muito triste com a tragédia do Rio de Janeiro. Mais de 100 pessoas morreram por causa da intensa chuva

Resolvemos indicar o Blog do G1, se voce quiser acompanhar.


Se você quiser doar algo - ai vai uma dica:

Plantão por doações funciona 24 horas

A Secretaria municipal de Assistência Social fechou uma parceria com a Cruz Vermelha para receber doações para os desabrigados da chuva no município do Rio. Segundo a secretaria, o plantão está funcionando durante 24 horas e as doações devem ser entregues na Praça da Cruz Vermelha 10, no Centro do Rio.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Espirito da páscoa



Por Manuela Carvalho

Essa história só pode ser contada por mim, eu que a vivi!!! A alegria de viver a páscoa com a familia, amigos e namorado não tem preço. Sem eles o meu "coelhinho da páscoa" não é o mesmo.
Quando eu era criança, páscoa era sinônimo de CHOCOLATE e só!!! Eu pensava que ia passar o dia procurando o famoso coelhinho e ia comer chocolate até explodir.
Hoje em dia, já vejo diferente, prefiro NÃO comer chocolate até explodir ( obvio, senão eu viro uma baleia) e prefiro NÃO procurar coelhinho (por razões lógicas)

Nessa Páscoa:
Fui viajar para ilhabela com meu namorado e amigos, e voltei no Domingo de manhã (para que não eu não pegasse tanto congestionamento)e ainda conseguisse ver minha familia na Pascóa.
Acordei as 11 da manhã e fiquei parada no trânsito durante 8 horas. Chegando em São Paulo, eu entrei no meu quarto havia vários ovos de chocolate. E a alegria que vinha quando eu era pequena, não apareceu. Tentei passar o resto do dia com meus pais, mas eles já estavam deitados, quase dormindo. Conversei um pouco e só.

É, posso dizer que senti falta da minha familia na páscoa.. O verdadeiro motivo da páscoa


domingo, 4 de abril de 2010

Viva Chico!

Por Caroline Albanesi

Chico Xavier, de "gente" para a gente.

De repente me encontrei num domingo pós feriado tendo que escrever algo para dinamizar o meu blog. Pensei em deixar pra lá, mas a consciência me impediu de dormir tranquilamente. Preciso admitir que tentei, já estava com a cabeça no travesseiro quando meu irmão entrou no meu quarto comentando sobre o filme de Chico Xavier que acabara de assistir e que fora produzido em função de seu centenário. No momento pensei..."é isso"! Preciso comentar de Chico no blog. Afinal, como falar de "gente" sem citar este personagem de controvérsias e feitos, de grandeza e humildade?
Quando penso em Chico lembro de minha avó se preparando para o encontrar em Uberaba. Eram muito amigos. Foi ele quem a incentivou a criar sua primeira creche, que deu tão certo, que em pouco tempo surgiram mais dez.
Chico era bom, homem diferente, de voz mansa e trabalho incessante. Vivia para servir. Nunca teve sequer uma namorada. Também não era homossexual, mas diferente. Gente decente, dessas que não se encontra sempre. Amigo fiel, orador e persistente. Não desistia perante as lutas, sabia que depois da curva viria uma estrada longa e direita, bastava acreditar que era apenas uma curva e enxergar a vida como um presente.
A mídia o perseguiu, achou que ele inventava para entrar na galeria dos heróis. E foi o contrário, virou herói por não se divulgar, por trabalhar de forma silenciosa, mostrando resultados realmente atordoantes, inacreditáveis.
Há que crê, outros que não, mas eu continuo admirando esta figura brasileira, este homem iluminado, essa "gente" que serviu gente toda sua existência.
Falando em filme, boas críticas. Para saber se um filme biográfico é bom, basta perguntar à algum conhecido do protagonista. Parece que Nelson Chavier de Chico tem um pouco.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ana, Carol, Ana Carolina

Por Gabriela Montesano

Ela é gente como a gente.

Aos 20 anos, Ana está grávida do segundo filho. Às vezes ela é Ana, às vezes Carol, às vezes Ana Carolina. É de baixa estatura (tem por volta de 1,52), cabelo alisado na altura dos ombros, olhos castanhos e pele morena. Vive com as unhas bem feitas, tanto das mãos quanto dos pés, e está sempre bem arrumada. Ana tem uma história que pra mim não tem nada de comum, mas pra você pode ter.
Quando tinha 16 anos, engravidou propositalmente de Wellington. Os dois decidiram que a melhor opção seria ter um bebê, para que deixassem suas casas e fossem viver juntos. Assim foi. Com a barrriguinha aparecendo, ela se casou aos 17 anos e foi morar na estrada de Itapecerica. Nove meses depois, Mariana nasceu. Bem pequena, rostinho lisinho, nada de cara de joelho. Ela era quietinha, mal chorava, e Ana podia cuidar da casa tranquilamente enquanto ela ficava no berço ou no carrinho.
Wellington perdeu o emprego, Ana também. As brigas aumentaram e a separação veio. Não no papel, mas veio. Wellington foi embora e Ana ficou lá com Mariana. Se envolveu com outro e se meteu em milhares de problemas. O novo namorado era traficante e gostava de planejar, juntamente com Ana, os roubos. Juntos, eles roubavam carros, televisões, rádios, computadores. Um dia ele trouxe uma TV de presente pra Ana e aí ela percebeu que não queria mais viver com ele, que essa vida era perigosa demais para ela e para a pequena. Mandou-o embora e pouco tempo depois lá estava Wellington de novo.
Eles fizeram juras de amor pra todos os lados e reataram os laços amorosos rapidamente. Mas quem disse que tudo mudou? Essa foi a vez de Wellington arranjar outra mulher e decidir ir embora. Foram pratos voadores pra lá e pra cá, palavrões de monte, socos e tapas. Todo mundo acreditou que tudo havia acabado ali, mas alguns meses depois lá estavam eles de novo se acertando, se amando, que querendo.
Hoje, Wellington tem um novo emprego, Mariana tem 3 anos e Ana está esperando o segundo filho do marido, com uma barriga saliente de 3 meses. Os dois fazem planos, pensam em nomes de menino e menina, às vezes discordam, às vezes concordam, às vezes cedem e parecem ter finalmente encontrado o amor em meio a tudo.

Eles também são gente como a gente

Por Manuela Carvalho

Estava procurando algo interessante para postar no blog e achei!!!

Este site " Ruas Digitais" contam as histórias de moradores de rua!!
Como eles são gente como a gente resolvi mostrar um pouco deles pra vocês!!!

"O grande objetivo do projeto Ruas Digitais é ter o site como uma mídia para moradores em situação de rua, dando voz a estas pessoas, com informações de pessoas desaparecidas, histórias de vida e denúncia.

O projeto ainda pretende expandir em sua área de inclusão digital, mostrando para a sociedade outro lado da população de rua, visando ser um núcleo de comunicação focado nesse público.

Esse é o grande desafio, unir esforços de projetos sociais e ampliar para o Brasil um pouco mais sobre a inclusão digital e social."


QUER SABER MAIS? Entre no site http://ruasdigitais.com.br/

Achei muito legal esse inclusão digital dessas pessoas que não tem poder aquisitivo.