quinta-feira, 3 de junho de 2010

Por Sabrina Fantoni

Morar fora logo que se ingressa na faculdade, como se espera, é uma importante experiência que faz qualquer pessoa amadurecer mais rápido em todos os sentidos. Vitor tem 18 anos; acaba de concluir o ensino médio e entrar na Unesp, no curso de Administração Pública. Medo, liberdade, insegurança, ansiedade; essas características passam a ter um significado mais amplo e intenso nessa nova rotina, que ao mesmo tempo que promete um mundo de sensações inéditas e atraentes, é quando se conhece também um vazio quase permanente e a perda de referências. A relação com pais, amigos, sentimentos, tudo se renova, tornam-se cambiante.
Algumas coisas são dissolvidas, outras reforçadas.
Na entrevista a seguir, Vitor conta sua experiência nesse primeiro semestre, estando há mais de 200 km de casa em Valinhos, na cidade de Araraquara onde estuda hoje.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Things go better with coke?!

Por Sabrina Fantoni

Ela não é gente, mas faz gente como a gente se sentir pertencente à uma sociedade de consumo e a um determinado grupo.
Para mostrar essa ideia, nada melhor que um comercial da própria marca explicando o que seu valor simbólico faz com o imaginário de um indivíduo como integrante social -e economicamente ativo de certa forma.


Não precisaria ser a Coca Cola, a maior e mais lembrada marca do mundo. Poderia ser outra marca, acontece que em todos esses anos essa marca foi seriamente trabalhada e inoculada no imaginário e no cotidiano da sociedade. Muitas outras marcas fazem o mesmo e têm tanto poder quanto a coca cola, entretanto ela continua sendo a Marca mais presente e inegavelmente acolhedora do planeta.
O termo acolhedora ficaria melhor entre aspas, pois no universo das imagens, nós vivemos buscando um lugar acolhedor em nossa memória, tendo em vista que somos bombardeados por imagens e informações, os lugares de memórias são concretos. A sinestesia presente nas marcas faz com que nós sintamos seu sabor, seu cheiro e todas outras sensações sem estar consumindo-as no momento exato. As marcas passam a ter vida própria e um valor simbólico profundo, de tal modo que a desejamos pelo valor imbuído, e não somente pelo produto.
Podemos afirmar que as imagens não são uma realidade a parte; elas são de fato a nossa realidade. Nós consumimos o produto, a imagem e sua mensagem passivamente e esperamos em troca o que esse simulacro nos promete; embora façam parte do nosso cotidiano, os produtos e mercadorias são falsos substitutos dos nossos objetos de desejos. O fetichismo exerce tamanho poder nessa sociedade sedenta por consumo; a Coca Cola, mesmo sendo acessível a todas as culturas, idades, classes sociais e crenças, ainda é a Coca Cola.
A publicidade e marketing por trás da marca, o sonho e a falsa realidade que é vendida por essas empresas, faz com que o indivíduo necessite daquele produto por algum motivo. Marx analisaria o suposto status que as marcas vendem ao consumidor,o qual crê ser aquilo que pode comprar; seja um carro de valor exorbitante, uma mansão e, sobretudo produtos que atrasam a velhice.
Freud estuda o efeito dessas estratégias e observa o fetiche, -que sempre terá a sedução como característica principal-, inculcado pelos mídia; toda essa publicidade transfigura o desejo em necessidade. É necessário ser mais másculo, imponente, altivo e poderoso, portanto, o que se deve ter é uma BMW, ter dentes brancos e sorriso perfeito, e estar, obviamente, decentemente vestido pelas marcas. O vazio faz-se intrinsecamente presente nessa sociedade consumista, pois, para “ser” é preciso ter. E esse ser na verdade, desde o início, é ter. o fetichismo desse sistema promove o superficial, o descartável; tudo é para ser de fato necessário, no entanto, é preciso que seja rapidamente substituído por outro.
O nome da marca é fixo, porém as informações e imagens que fazem dela ser lembrada são transitórias e obsoletas. Cada produtor tem seu público alvo, no caso da coca cola, a sociedade como um todo é o destinatário, por isso suas propagandas são tão abrangente e democrática; ela lembra todos os cidadãos capazes de consumir e foca em suas peculiaridades, suas raízes, hábitos, cultura e problemas específicos de cada idade e fase. Desse modo, a especialização no marketing e publicidade nos revela a necessidade de auto-afirmação do consumismo constantemente, tendo em vista que, devido a descartabilidade dessa cultura, a publicidade é um lugar de memória, sempre se renovando.

Para entender melhor, o documentário Mundo Cola explica o mito por trás da marca.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O QUE TE FAZ BEM?

Por Caroline Albanesi


"Gaivota" é gente como a gente, tem as suas preferências.

Pode parecer besteira, mas você já parou para pensar sobre O QUE TE FAZ BEM? Espantosamente a resposta afirma um pouco sobre nós. Há quem se sente bem matando, prejudicando o outro, existem aqueles que assim se sentem ao ajudar....
O "Gaivota", assim conhecido entre seus comparsas, diz que não há sensação melhor do que ganhar um jogo de pôquer. O administrador de um empreendimento no centro de São Paulo afirma não ser viciado no jogo, mas contraditoriamente, joga todos os dias: " chego e casa e já ligo o computador...tem dias que perco, outros que ganho, mas estes são mais raros!", brinca.
Quando pergunto sobre o que de mais importante existe em sua vida, ele responde: "minha família", e em seguida aproveito:"quanto tempo passa ao lado deles por semana?", ele retruca: " acho que umas 10, 11 horas...".
Parece que o pôquer está em vantagem... ganhou o campeonato: são mais de vinte horas semanais dedicadas ao jogo. Mas, afinal, o que mais importa mesmo, Gaivota? Não se esqueça dos resultados.

Soninha: a filha do mundo

Por Caroline Albanesi


Sônia Camargo*. Assim não quer chamar aquela que durante toda a sua existência atuou nos bastidores dos mundos alheios. Ela tem 32 anos, mas parece uma menina pelo jeito, aparência e, posso dizer, ingenuidade. Com estatura baixa, cabelos claros, pintados de ruivo "caju", sardas e pouco acima do peso, é assim que se apresenta, como a famosa e querida "Soninha".
Quem a vê não enxerga que por trás da aparência de menina, existe uma mulher que já guerreou contra os golpes da vida. Filha de uma chamada " profissional do sexo", que a concebeu aos 16 anos e que carregava não apenas um bebê no ventre, mas um passado de vícios e angústias, Soninha foi entregue pela sua avó materna à Tia Silvia*, que mesmo com a rigidez de senhora religiosa e tradicional, soube a amar como os vínculos sanguíneos determinam.
Apanhou, chorou, mas revolta com ela não teve vez. A disciplina impedia.
Conheceu Simone*, amiga dos parentes de São Paulo, quem a recebeu em sua casa e a fez sair de Ribeirão Preto, quando já formada no colégio. Com ela aprendeu a lição mais valiosa: a de fazer o bem.
Simone a levou ao sertão do nordeste para um trabalho social, onde pôde enxergar um novo mundo, com conflitos até então inimagináveis à menina. Gostou tanto do trabalho, que lá mesmo, no semiárido, ficou, atuando na ONG como uma verdadeira Amiga do Bem. Brinca com as crianças, cuida dos idosos e jovens, dos carentes de pão e de afeto, o que sempre teve de monte.
Hoje quem diria...família aqui e acolá. A menina a princípio "deixada" pela mãe é a filha do mundo, daqueles que ela conquistou pelo amor, laço que não se forma pelo corpo, mas pela alma.
Relembra dos tempos em que achava que nunca seria feliz: "me sentia estranha em todo lugar, parecia que pra mim não havia chão". Engano dela, aliás, "vai trabalhar, menina, que agora você é das terras do sertão".


* (os nomes foram substituídos para preservar as personagens)

A nossa motivação

`Por Manuela Carvalho

Motivação! Motive-se.. Atualmente é muito bom se sentir motivada e ter algum objetivo..
Mariana é persistente. Desde que eu a conheço ela queria ter um namorado! Hoje ela tem quase 21 anos, e hoje está fazendo 2 anos de namoro (EBAAAA!).
Todos os dias que a gente conversava, ela falava sobre como seria bom se ela se relacionasse com alguém, e desse certo! Depois de muita reza, simpatias e MOTIVAÇÃO ela encontrou o que queria. Preciso dizer o quanto considero importante essa motivação, pois as coisas não "caem do céu", é preciso subir até lá em cima para busca-las.

E para manter um relacionamento nos dias atuais está díficil! E namorar durante dois anos é bastante tempo!" Não podemos deixar o namoro esfriar!" Mariana conseguiu.. " Vejo meu namorado como único, sei que já estamos BEM CASADOS!" diz alegremente.

Sei que todos nós precisamos dessa motivação

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Alma Imoral

Por Vanessa Yazbek

A "Alma Imoral" é um livro escrito por Nilton Bonder e recentemente adaptado para o teatro, pela atriz Clarice Niskier. No livro, os conceitos de "corpo" e "alma" são traçados por uma nova perspectiva do autor, que desmonta os conceitos mais conhecidos desses dois termos, e inverte suas essências. A alma se torna a metade imoral do ser humano, enquanto o corpo é a parte moral, que está subjugada pela sociedade.
A peça está novamente em cartaz, no Teatro Augusta, às sextas, sábados e domingos, e vale a pena ser vista. Apresenta ao espectador uma nova forma de enxergar os outros, e a si mesmo, muito mais humana, verdadeira e crua.

Assista ao making off da peça aqui:


“A evolução da espécie está no silêncio do pai que ergue a faca para matar um filho por ordem divina e a detém. Um silêncio que cada homem e cada mulher conhece em sua vida pessoal e coletiva. Um silêncio desafiador, que responde a um impulso interno de sagrada desobediência, uma desobediência que o homem sonha em integrar à paz, à paz que não se fará no estabelecimento de um mundo ideal para um corpo imutável, não se fará através do clone, mas através do mutante, porque o nosso ser é um ser em transformação, tem alma e não é uma alma boazinha como nos fizeram acreditar, mas uma alma profundamente imoral e isso não tem nada de satânico. É que transformaram Satã num espantalho que nos afasta das mudanças. Satã é tudo aquilo que nos embota os sentidos e que nos embota a consciência – é que é mais fácil e conveniente apresentar Satã como um possível resultado do risco do que o apresentar também como o pesadelo da acomodação. Se os que mudam radicalmente de emprego, se os que refazem relações amorosas, se os que perdem medos, se os que rompem, se os que traem, se os que abandonam os vícios experimentam a solidão é possível que essa solidão seja quebrada no encontro com outros que conheçam essas experiências. Haverá pior solidão do que a ausência de si?” (Nilton Bonder - excerto do livro 'A Alma Imoral')

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Crianças Invisíveis

João e Bilu; eles têm um pouco da cara dessa cidade, desse Brasil.

Por Sabrina Fantoni

Crianças invisíveis é um filme do aclamado cineasta Spike Lee e mais 7 diretores, dentre eles a diretora e produtora Kátia Lund -cujo principal trabalho foi em Cidade de Deus, filme de Fernando Meirelles.

Considero-me suspeita pra falar sobre esse filme que me foi apresentado em 2006, numa aula de sociologia quando eu estava no segundo colegial. Dentre várias histórias, de alguns países como Estados Unidos e Itália, a do Brasil, do João e Bilu, é sensacional; é de uma verdade e sensibilidade irrefutável, além da fotografia magnífica e de todo conteúdo social ideológico por trás mostrado de uma maneira cativante e acolhedora. Ora alegre, ora desconfortável. O intuito é realmente incomodar, fazer pensar e analisar a discrepância cultural e econômica presente nessa cidade, na qual, analogamente, foram criadas fronteiras imaginárias e impostas, sobretudo como na África colonizada, entretanto aqui elas ergueram-se verticalmente, não só cultural e socialmente como fisicamente. A principal imagem de "João e Bilu" é a fotografia dos edifícios luxuosos localizados na Marginal Pinheiros cujos tem como paisagens favelas que estão a alguns metros de distância.
A simplicidade e bondade marcada na personalidade dos protagonistas contagiam até mesmo a pessoa mais cética e alheia. Dois meninos espertos, determinados, lutadores e sempre com um sorriso no rosto, com uma carta na manga. Aquela peculiaridade bem brasileira, que rebate a ideia de que brasileiro é acomodado e preguiçoso; pelo contrário! João e Bilu são o retrato do típico brasileiro que vai a labuta, logo de manhã e volta pra casa só no fim do dia exausto mas com a sensação de dever cumprido. Pra mim, brasileiro acomodado é aquele que reproduz os discursos manjados e padronizados, que mal sabe da história de seu povo e seu país e prefere se conformar com a lavagem cerebral imbuída e calcada nos nossos pré-conceitos ufanistas e edenistas, baseado também na educação familiar e nas relações sociais.
Fato é que poucos brasileiros regozijam-se da abundância cultural de sua pátria; há uma relação de amor e ódio, de pertencimento e não pertencimento, de identificação e não identificação com as características desse país. Mas posso lhes adiantar que João e Bilu faz com que nos apaixonemos um pouco mais pela cara desse Brasil tão misturado, heterogêneo e também desfigurado.
Dói. Dói de verdade quando vejo que algum brasileiro odeia o Brasil, me ofendo. É por esse motivo que não esqueço nunca das aulas de Cultura Brasileira do segundo semestre que aprendemos tanto sobre nossas raízes, sobre Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes e Gilberto Freyre; Chicos, Marias, Joãos e Josés.
Meu Brasil presente nas massas e maçãs de Almir Sater; no velho e invisível Avohai de Zé Ramalho; no amor malfeito depressa de Chico Buarque; a Juliana do joão e do josé de Gilberto Gil; no sonho e no pó, no destino de um só de Renato Teixeira...

A beleza se faz presente nos discuros proferidos, nas palavras escritas; a beleza que não é vista em gente como João e Bilu, que não é cantada, mas contada e mostrada da maneira mais verdadeira e simples. Gente invisível que está tão presente no nosso dia-a-dia e que passa despercebida; só conseguimos enxergar a beleza se assim nos é encaminhado e apontado pelo olhar do outro. Crianças invisíveis é um filme que grita a beleza e a pureza em meio a sujeira e a podridão. Quase como uma flor de lótus com suas pétalas auto-limpantes, as crianças ao redor do mundo mesmo com medo, dor e insegurança, transmitem o dom da vida frente ao caos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A música da rua

Por Vanessa Yazbek

Assim como todo mundo, acabo passando diariamente pelos mesmos lugares, fazendo o mesmo caminho, e vendo quase sempre as mesmas pessoas. O que muda é o tempo, e os rostos dos transeuntes que caminham lado a lado na Paulista, e que dividem a mesma calçada por determinado momento. Esses rostos são esquecidos assim que desaparecem na próxima esquina, e logo são subtituídos pela atenção em outro rosto, num cachorro passando, ou em alguma música do meu mp3, que também tem minha atenção por menos de quatro minutos, e logo muda. É difícil manter na memória tudo que se vê quando se caminha por ali, afinal, são aproximadamente 1,5 milhões de pessoas que circulam diariamente por aquela avenida. Algumas coisas, porém, ficam, e geralmente são aquelas que chamam a nossa atenção por destoar no contexto geral da paisagem, ou que prendem nossos olhos e despertam algum real sentimento, além da indiferença.
Foi numa dessas andanças que eu acabei percebendo um mendigo e seu cachorro. Na primeira vez que os vi, o mendigo estava de pé em cima de uma das lixeiras quadradas de concreto que ficam numa das calçadas perto do metrô Consolação. Ele tinha um fone de ouvido enorme na cabeça, e tocava uma harpa imaginária que parecia pairar na sua frente. O cachorro, como o bom companheiro que é, estava sentado ao lado da lixeira, feliz da vida na presença do seu dono, e balançando o rabo pra qualquer e todo passante. Mas ninguém parecia ver aquela cena, cruzavam com apatia o mendigo e o cão, que pra mim, criavam um mundo a parte dentro daquele caos de pessoas, passos e pensamentos. Eu entendi o fato do descaso com o mendigo e seu cão, pois apesar de tudo, só na cidade de São Paulo (de acordo com o senso do ano de 2009), são 13.666 pessoas em situação de rua, o que faz com que essa situação se torne corriqueira aos nossos olhos. Apesar disso, eu não pude deixar de parar e observar por um bom tempo.
Fiquei imaginando o que aquele mendigo ouvia, e fiquei desejando poder ver aquela harpa também. A imagem me tocou de uma forma nunca mais esqueci disso, mas tive que retomar logo o meu caminho, e continuar a andar.
Desde esse dia, um bom tempo já se passou, e algumas vezes cruzei com ele de novo (sempre o via com o grande fone de ouvido), mas a pressa sempre me impeliu a passar reto, como a maioria faz. Há pouco tempo atrás, porém, num dia-feira qualquer, na mesma calçada, eu vi um grupo de pessoas, uma câmera na mão, um microfone e sorrisos nos rostos. Na frente delas, com pose de importância e sem esconder um certo brilho nos olhos, estava o mendigo, segurando seu cão pela coleira e discorrendo sobre algo, com imponência, no microfone. Meu sorriso se abriu de imediato, mas eu não pude parar pra entender direito o que estava acontecendo, tinha horário pra chegar na aula, e já estava alguns minutos atrasada, mas jurei pra mim mesma que algum dia ia voltar lá, sentar na calçada com aquele desconhecido, e fumar um cigarro, lado a lado, só pra ouvir suas histórias de vida e saber mais sobre a música que toca no seu fone.
Prometo que o dia que isso acontecer, posto nossa conversa aqui pra vocês. Enquanto isso, se alguém cruzar por lá e tiver mais notícias dele, que me avisem.

Só pra se situar:
http://www.vademetro.com.br/consolacao

O transporte público que a gente enfrenta

Por Gabriela Montesano

Todo santo dia pego o trem ou sou levada pra dentro dele, involuntariamente; ainda não sei definir. De manhã tenho o prazer da companhia da Júlia, que me dá carona até a faculdade. Mas, sem contar os dias em que consigo aquela carona inesperada, faço um longo caminho para voltar pra casa, precisando de um ônibus e um trem pra chegar ao destino final em que descanso (ou não).
Com tanta gente que pega aquele trem da linha esmeralda às 18h, encontrei alguém que chamou a atenção de todo mundo por alguns minutos e fez nossa viagem um pouco menos desagradável. Semana passada, o vi novamente. E digo que é muito fácil notar a sua presença; garanto que o vagão inteiro notou. Não faço ideia do seu nome e acho que seria difícil descobrir, porque todas as vezes que o encontrei, ele estava no vigésimo sono. Nada discreto, roncava tão alto que o vagão inteiro parava pra ouvir. Todo mundo ria. Variavam de risadas altas a baixas e discretas.
Lá estava eu, sentada bem em frente ao tal roncador, imaginando o que acontecia para ele não acordar em hipótese alguma. Pensei que o nome dele talvez pudesse ser Mário (adotemos o nome, então).
Mário deve ter uns 20 anos, é aparentemente alto e pesa mais do que os padrões que a mídia estipula, mas nada que salte aos olhos de chatos de plantão. É oriental, talvez de família japonesa, pelo jeito dos olhos puxados. Sempre está com camisa e calça social, e seu sapato, confesso que nunca reparei. Acho que Mário estuda e trabalha, talvez na área de engenharia. E deve acordar cedo, por volta das 5h da matina, por isso está sempre tão cansado. Ele se apóia na janela do trem e ali reluta pra se manter acordado. Sua cabeça desliza várias vezes e o ronco aumenta quando isso acontece, então ele volta à janela e continua seu sono ininterrupto - enquanto todos continuam a rir durante a viagem. Confesso que eu deixei aquele risinho envergonhado escapar algumas vezes e troquei alguns olhares de dó com outros espectadores.
Quando o trem chega ao ponto final, Mário não acorda e todo mundo sai rindo e comentando sobre o sono pesado do rapaz. Então, aparece o segurança que fica nas estações, faz um esforço grande pra acordá-lo e não assustá-lo e avisa que ele chegou ao destino final. Mário calmamente se levanta e deixa o vagão, sem imaginar o que aconteceu durante a viagem.

Esse post me lembrou um que a Camila Caputti escreveu no SÃO outros PAULOs há um tempinho atrás, sobre a diversão que a viagem de ônibus nos proporciona! Confere AQUI!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A rua tem cultura!

Por: MANUELA CARVALHO


Anderson luta pela inclusão social de moradores de rua.

"As pessoas não acreditam que a rua tem cultura e organização. Acham que lá só tem drogados e bêbados, porém a maioria das pessoas começam a se drogar quando já estão lá." diz Anderson Miranda Lopes, coordenador geral do Movimento Nacional da população de Rua - SP.

Ele tem 34 anos e morou nas ruas de São Paulo por 15 anos. Nessa mesma época foi treichero ( palavra usada para os moradores que se locomovem a pé de um estado para o outro) passando pelo Rio de Janeiro e Bahia.

Em uma viagem, Anderson diz ter andado durante 2 meses de São Paulo até a Bahia, e conta que só conseguiu por causa da soliedariedade das pessoas que encontrava. "Elas sempre me davam algum alimento, é muito bom ver quando as pessoas se importam com você". O motivo da viagem foi a violência da cidade paulista. "Em São Paulo, a guarda metropolitana civil trata os moradores em situação de rua muito mal". Ele saiu da rua por causa da motivação da atual companheira.

O Movimento Nacional da população de Rua é a sua maior e melhor luta, e vive em busca dos direitos da população de rua,
Todos os meses, Anderson reúne os moradores em situação de rua para escutar reclamações e denúncias. A PLENÁRIA FALA RUA sempre é aborda alguma pauta, que envolve cultura e informações importantes.

"Estou a favor das pessoas, quero justiça!"

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Solas gastas, como a gente.

Por Vanessa Yazbek

Ultrapassando as fronteiras geográficas, e certo pré-conceito, que não deixa de ser uma fronteira criada por nós mesmos, o lado de lá do Atlântico não parece ser assim tão distante.
Na região Sul dos Estados Unidos da América, estado da Flórida, dentro de uma cidadezinha chamada Kissimmee, que fica no condado de Osceola, vive William Travor Willis - 22 anos, e muita vida nas costas.
Assim como é costume nos Estados Unidos, ele saiu de casa cedo, aos 19, pra tentar viver a vida longe da proteção dos pais.. seu primeiro verdadeiro emprego, conseguiu 3 dias depois de se formar no Ensino Médio, aos 18 anos. Trabalhava numa empresa de produção, e por sua competência, logo subiu de posto e virou gerente. A empresa fabricava grande parte dos grandiosos cenários utilizados nos parques da Disney, ajudando a construir parte daquela magia e sustentar a fantasia estética que os parques temáticos de lá criam. Porém, a beleza ficava só do lado de fora, pois ele trabalhava mais de 60 horas árduas por semana; nunca reclamou, apesar disso, pois era o que pagava (muito bem) o pão que comia. Ele ganhava o suficiente para ter o precisasse, e ficou lá até os 21 anos, quando os problemas econômicos de seu país bateram à porta e trouxeram uma má notícia.. Por causa da crise de 2008, a empresa em que trabalhava teve que demitir grande parte dos seus funcionários (essa história lhe soa mais próxima do que o normal?), e ele, por ser um dos mais novos que trabalhavam lá, teve que ir embora também.
(Pra entender melhor: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/crisenoseua/ )
Acabou ficando um ano desempregado, apesar de tentar todos os dias conseguir um novo emprego. A situação não era nem um pouco favorável, e a economia parecia estar conspirando para que nada desse certo. Passou por todas as frustrações e desgostos que todo mundo passa, perdeu as esperanças, chorou, cogitou pedir ajuda e dinheiro, mas não o fez. Levantou e não desistiu (parece até coisa de brasileiro).. até que uma oportunidade apareceu. Podia não ser o melhor dos empregos, o salário mais tentador ou a rotina mais animadora, mas era um trabalho, era digno, e era seu. Agarrou (como qualquer um de nós faria), e deu o melhor de si. Voltou a trabalhar, e a trabalhar, e a trabalhar...
Ainda está empregado lá hoje, e faz por merecer. Mas sonha com o dia em que vai ter a oportunidade de voltar a fazer algo que goste e lhe traga melhores frutos. Não queria ter só que trabalhar pra poder se sustentar, sente que a vida é muito mais do que isso, e mostra certo desânimo em relação a sua atual rotina, mas diz que por enquanto é a única coisa que se pode fazer. Além disso, diz não acreditar no 'American Dream', e acha isso tudo uma grande bobeira.
Will pode ser de longe, mas o que carrega dentro de si é tão próximo quanto qualquer vizinho.
Essa história dava samba, mas prefiro colocar o link pra uma música que tenha as mesmas raízes que Will, e que transpareça a sua história e de muitos outros americanos da classe média. Do Sul dos Estados Unidos, com influências do country, blues e rock and roll, Lynyrd Skynyrd - Workin'.

E pros interessados, a letra:
http://vagalume.uol.com.br/lynyrd-skynyrd/workin.html
Vale a pena ;)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O problema financeiro que todos nós temos


Por Manuela Carvalho

Desta vez a nossa história começa diferente pois Cláudia não quer ser gente como a gente.
Cláudia tem 50 anos, e é solteira. O fato de ser solteira não a deixa tão triste. O maior problema de sua vida é não conseguir ter se concretizado financeiramente, no ambiente do trabalho. Até os dias de hoje Claúdia depende de seus pais. E revela " Não quer ser um peso para ninguém, o dia que meus pais falecerem- eu também vou"

Depois de nossa entrevista, eu fiquei pensando - Como uma pessoa consegue anunciar sua morte? - E porque então ela não começa estudar?

Desde pequena ela sempre teve dinheiro, sua família era bastante rica. Naquela época as mulheres eram criadas para casar, e não estudar. Foi assim que aconteceu com Claúdia, ao invés de estudar na faculdade - ela fazia cursos de como ser uma ótima mulher- Aprendeu a cozinhar, costurar..
Com o passar dos anos, sua família perdeu bastante dinheiro e Cláudia não se casou. Ela mora com seus pais desde pequena e não irá se mudar tão cedo. "Me sinto triste por não conseguir ter minha própria casa".

Mas o que será que Cláudia faz durante seus dias?

Ela tentou trabalhar durante uma época, mas não via muito futuro nas empresas. Além de passar o dia na Internet tentando vender e revender coisas, ela é uma ótima cozinheira- é quem pilota o fogão de casa. "Não quero abrir um restaurante, prefiro cozinhar para amigos"

Há sete meses frequenta um psicólogo, e espera pelos resultados. " É complicado viver assim, em depressão, mas penso que daqui a pouco só coisas boas irão aparecer!"

E é assim que Cláudia vive.




Dúvidas sobre depressão

Cura da depressão

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SÃO outros PAULOs

Por Gabriela Montesano

SÃO outros PAULOs também são Gente como a Gente!

Estamos com algumas novidades pra sair no blog em breve! Enquanto não estão prontas, vou compartilhar uma dica que peguei no SÃO outros PAULOs, que tem tudo a ver com gente.
Hoje, a Mari postou sobre um evento que está rolando em São Paulo e que pode ser do seu interesse: o Whisky Festival, com muita música, comida e filmes no estilo escocês!

Confiram AQUI a matéria!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Animal, empático, como a gente.

Por Sabrina Fantoni


Frans de Wall estudou biologia na Holanda, seu país de origem; é considerado um dos mais importantes primatólogos do mundo e já escreveu mais de 6 livros para o público leigo. Neste vídeo ele fala sobre neodarwinismo, sociedade capitalista e a empatia presente nas relações animal-humana

Estou terminando de ler um livro, que nos foi indicado pelo nosso querido e estimado professor de comunicação e cultura, Fernando Salinas, logo no início do curso: Eu, primata - porque somos o que somos, do primatólogo Frans de Waal lançado em 2005.
Inicío esse post com o vídeo do autor falando sobre o assunto que quero tratar aqui: Empatia.
O conceito desse termo basicamente é: sentir como se fosse o outro; entender e se propor a sentir aquilo que o outro possa estar sentindo em determinada situação. A empatia começou a ser estudada recentemente pela ciência, pois antes consideravam-na algo relacionado à misticismo ou espiritualidade; hoje entende-se como uma das características evidentes da nossa condição humana.
Devo reiterar que é explícita não só nas relações humanas -embora na nossa espécie seja mais desenvolvida, desde os primeiros anos de vida- mas também nos animais, principalmente mamíferos. O principal pensamento que tirei dessa obra é do porque assimilamos a brutalidade humana com a selvageria animal. E quando algum animal -geralmente cães, macacos- pratica um ato "heróico" é reverenciado como humano, e tratado como algo inacreditável um ser irracional ser solidário e se prontificar para ajudar alguém da mesma espécie ou nao. Casos assim são quase que frequentes na mídia, como se fossem excepcionais e de grande relevância, como o do cachorro que pulou na frente de uma cobra quando percebeu que essa iria atacar seu dono -um menino ainda criança- e recebeu, assim, o veneno no lugar dele.
Penso que devem, sim, ser noticiados casos assim, entretanto, não tratados como algo inédito, pois essa solidariedade e ímpeto não se restringem somente aos humanos.
Foi construída uma estética de pensamento, classifico eu, de maniqueísta; o belo e o feio, o certo e o errado, o humano e o animal. A violência, brutalidade, competição e a insanidade nos é inerente, no entanto atribui-se todas essas características aos animais irracionais; ao passo que também é inerente a nós a generosidade, a empatia, a bondade e a resignação, essas também presentes e inerentes aos animais embora nunca lhes darmos esse crédito.
Frans de Waal destaca que não só somos tão selvagens e cruéis quanto os animais, como podemos ser mais brutais do que eles. Porém, também podemos ser muito mais bondosos, gerenosos e empáticos.
Amo os animais; vivo falando que não gosto de gente mas me contradigo nesse ponto o tempo todo. Certa vez, eu e Vanessa Yazbek fomos comprar roupas, entramos numa loja e saímos sem levar nada. O vendedor foi muito educado, sem aquela afobação de querer vender, havia apenas uma simples boa vontade de atender bem à um cliente, tanto que quando fomos embora ele deu um sorriso verdadeiro e nos chamou de "meus amores" logo que o agradecemos pela atenção. Saímos de lá nos olhando com um ar de satisfação que nao conseguimos não comentar sobre o ocorrido até que soltamos um "Ah, fofo..." na mesma hora.
Houve também um fato que aconteceu comigo, inesquecível. Estava eu no ponto de ônibus indo para o Mackenzie quando fui abordada por uma velhinha de 84 anos; ela aproximou-se e falou: "Oi, meu anjo lindo de vermelho e branco" e começou a me contar de sua vida, de situações fortuitas e pediu pra eu nunca desanimar seja lá por qual motivo fosse. Ela sabia que eu estava aguardando meu ônibus e quando eu olhava para o lado para verificar se ele já estava chegando, ela mesma se prontificava para me avisar assim que avistasse o Praça Ramos. Não me esqueço da doçura presente em seu olhar e na simples vontade de expressar o que sentia naquele dia, distribuindo sorrisos pra quem quer que passasse ou parasse no ponto. Todos a observavam com carinho, como se fosse uma criança linda. Aquilo simplesmente fez o meu dia, pois pude ouvir alguém que simplesmente queria me contar algo, além de toda simplicidade e generosidade que absorvi daquela pequena senhorinha. Creio que esse foi o ápice da empatia que já vivi nesses 20 anos de idade.
Fato é que muita gente não teria dado atenção para a velhinha ou ficaria ouvindo-a de má vontade; ás vezes até eu poderia estar num dia terrível, nada disposta para conversas fortuitas num ponto de ônibus, mas ela simplesmente me ganhou, e olha que eu nem sou tão bem humorada assim.
Tem um trecho do grande clássico de George Orwell - 1984, que para mim, é o exemplo cru de empatia; não de humano para humano, mas sim de humano para com a natureza, uma força maior, àquilo em que acreditamos e que nos move:
“... -Os homens são infinitamente maleáveis [...] são inermes, como os animais. A humanidade é o partido.
-Não me importa. No fim haverão de vos derrotar. Mais cedo ou mais tarde verão o que sois, e então vos estraçalharão.
-Vês algum sinal de que isso aconteça? Alguma razão para que aconteça?
-Não. É o que acredito. Sei que falhareis. Há algo no universo... não sei o quê, um espírito, um princípio, que nunca podereis vencer.
-Acreditas em Deus, Winston?
-Não.
-Então o que é esse princípio que nos derrotará?
-Não sei. O espírito do Homem.
-E tu te consideras homem?
-Sim."
Talvez o vocalista da banda Nirvana, que se suicidou em 94, Kurt Cobain tenha cometido tal ato pela apatia e falta de perspectiva em si enquanto homem, ou também, enquanto homem e sociedade. Pode ser que pela ausência de empatia que em sua carta de despedida ele escreveu essa palavra muitas vezes no final de seu texto...
Empatia, empatia, empatia...
Assim como a criança de 2 aninhos que chora ao ver o amiguinho chorar; assim como o cão que se prontifica a lamber as lágrimas de seu dono, assim como um gorila que fica transtornado -mesmo em sua condição de selvagem- ao perceber que feriu alguém de sua espécie, ou nao; Assim como eu fico desesperada ao ver minha mãe inquieta por não saber onde meu irmão se enfiou; ou aquela sua amiga que está sofrendo por amor e você se pudesse faria de tudo para aliviar a sua dor.
Por fim, a empatia consolida nosso estado de ser humano-animal, e consolida o estado do animal-ser humano.

Ele sempre foi gente como a gente.


Por Manuela Carvalho

Paulo Cezar é gente como a gente. Ele se assumiu, mas o que é se assumir diante dessa sociedade? Desde pequeno Sérgio sempre foi assim, sempre se sentiu "diferente". Até a oitava série, não tinha amigos. Ninguém queria se sobressair e ser amigo do "diferente". No colegial, as pessoas eram mais abertas - mas mesmo assim ele não era totalmente aceito. Muitos colegas eram "diferentes" e não se assumiam, MAS ele SIM - ele se assumiu.
Aprendeu a viver sozinho, naquele mundo as pessoas eram muito quadradas, fechadas. Quando ingressou na faculdade, descobriu novos colegas, novos mundos! Não havia aquele clima escolar, todos se respeitavam. Conheceu nova gente, gente "diferente".
Hoje se diz feliz por ter assumido o seu rumo. "Se Deus me perguntasse o que eu gostaria de ser- heterosexual ou homosexual, eu escolheria ser assim, do jeito que eu sou!", revela Cézar.
Ele se assumiu para uma parte da familia, outra ele ainda espera. Não tem pressa, oportunidade é o que não falta. Alguns não querem saber sua opção de vida, outros tiram inúmeras dúvidas. As pessoas ainda olham torto para ele, mas elas não entendem essa questão está muito além de uma escolha.
A igreja não aceita, os machistas não aceitam, grande parte da sociedade não aceita. Posso dizer que os gays assumidos são muito mais homens- fortes do que muita gente por ai. Eles se assumem! Vão contra muita gente e são felizes!
Desde pequena conheco Paulo, e posso dizer que ele nasceu assim. E fico muito feliz por ele ter se realizado e mais importante se assumido. É imensamente díficil se assumir "diferente".


Veja um vídeo sobre DIREITO DE SER GAY

HOMOFOBIA

PERSONALIDADES GAYS

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ele é e precisa de gente como a gente.


Por Manuela Carvalho

Ele é e precisa de gente como a gente - Ninguém faz sucesso sozinho, o livro da trajetória de Antonio Augusto Amaral de Carvalho diz muito sobre o que é ser o "TUTA".

SUA HISTÓRIA: AAA de Carvalho, mais conhecido como Tuta, é considerado responsável por inúmeras transformações no rádio e na Televisão.
O sangue quente já era tradição, seu pai era o Paulo Machado de Carvalho, advogado e empresário que fundou a TV Record.
Atualmente Tuta tem 78 anos, e trabalha todos os dias na rádio Jovem Pan. Desde manhãzinha ele anda de um lado pro outro pela emissora, portanto uma dica: é extremamente díficil encontra-lo em sua sala.
Sua carreira começou com 21 anos, quando começou na Rádio Panamericana ( atual Jovem Pan). 1953 Tuta deixou o rádio para transformar a televisão. Foi então que criou e dirigiu na TV Record alguns dos programas históricos da televisão brasileira, como “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Família Trapo”, “Hebe”, “Show do dia 7” e muitos outros que marcaram época. Aaaa, não posso me esquecer que além de tudo isso ele também inovou a cobertura esportiva da TV - fazendo as as primeiras tomadas do público nos estádios.
Em 1964, AAA de Carvalho, retomou a direção da rádio Panamericana - mudando seu nome para "Jovem Pan". No seu processo de transformação do rádio, fez vários programas com os ídolos de MPB, e em algum tempo depois, introduziu programas jornalísticos e de prestação de serviço.
Já faz 35 que está na rádio, e ele ainda está escrevendo e mudando a história da mídia.

Tuta já recebeu por dez anos consecutivos o Prêmio Roquete Pinto, mais tarde recebeu o Tupiniquim da TV Tupi, o Prêmio Governador do Estado.
No ano de 2009 A Associação Paulista dos Críticos de Artes (APAC) concedeu a ele o “GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA.
Poucos sabem: Tuta nunca gostou de se expor, portanto o primeiro prêmio que ele recebeu pessoalmente foi o APAC em 2010.



Saiba poco da estréia do livro

Veja o discurso de Tuta no APAC

sábado, 10 de abril de 2010

Augusto Cavalcante: jovem e obeso

Por Caroline Albanesi

Augusto é gente como a gente, não pode mudar o mundo, mas tenta mudar a si mesmo.
Augusto Cavalcante é um adolescente comum, que se interessa por garotas, amigos e música, mas é visto de forma diferente, pesa 127 kg. O garoto só tem 15 anos e já vive drama de adulto, se diz infeliz por comer demais, mas come cada vez mais por estar infeliz.
Numa sociedade em que a aparência sobrepõe os valores éticos do homem, um jovem obeso não passa de uma anormalidade para muitos que ainda enxergam o mundo com grandes restrições.
Augusto é meigo, tem tanta vergonha de ser visto que sua fala é contida e o olhar cabisbaixo. Suas mãos estão sempre molhadas de suor e seus ouvidos já se acostumaram com os infinitos apelidos maldosos que surgem das bocas de seus "colegas" de colégio: "baleia", "elefante", "gordo obeso", e o pior até hoje, na opinião do garoto, que foi "nojento", quando a partir de então, passou a se sentir assim.
Sente-se culpado por estar vivo, e afirma que comer hoje é uma necessidade e não prazer: "Sempre que coloco alguma coisa na boca todos olham e pensam que não deveria estar fazendo aquilo". Augusto não sente mais o gosto do alimento, mas o peso de culpa que cada migalha lhe causa.
Seus pais, dona Marília e seu João, não sabem mais o que fazer. O casal, proprietário de um empreendimento em São Paulo, faz terapia em grupo na companhia de seu filho, mas diz não poder mudar o mundo. A relação dentro de casa hoje é outra, além de alimentos saudáveis, muita conversa para aproximar o filho dos pais e distanciá-lo de suas constantes crises de angústia. Augusto concorda, hoje vive muito melhor, reconhece a grandeza que existe dentro de si mesmo e busca combater os excessos de seu corpo por meio de uma alimentação equilibrada, exercícios e muita autoestima. Afinal, o exercício mais importante é aquele que vem de dentro e se reflete no exterior, é a beleza que não tem idade e nem peso, mas que vale muito.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A sombra da sua sombra



Por Sabrina Fantoni


Acordava bem cedinho para aproveitar o café fresquinho e o pão quentinho. Aquela manteiga gorda e o leite espesso, direto da vaca; eu era capaz de sentir o gosto e a textura só de imaginar. A poeira e o cheiro de cana queimada contribuíam para a sensação quente e seca de Ribeirão Preto, cidade onde alguns dos Fantonis da minha família se firmaram e continuaram suas vidas. Eu me preparava para voltar pra São Paulo das férias de julho que havia passado lá, quando, ainda na mesa do café, meu primo tira de sua pasta um presente para mim; era um cd gravado com as canções de Nina Simone, uma grande cantora de Jazz dos anos 50, norteamericana. Como sempre soube do bom gosto musical de meu primo, Tim, sabia que era algo no mínimo respeitável.
Dona de uma voz maravilhosamente negra, com aquela peculiaridade e entonação grave, Eunice Kathleen Waymon Adotou o nome Nina, que veio de pequena (little one)e Simone por causa de sua atriz preferida, Simone Signoret, grande nome do cinema francês.
Nascida em 1933, na Carolina do Norte, ficou mundialmente conhecida por sua interpretação de "My baby just cares for me", e uma das mais lindas versões de "Ne Me Quitte Pas" de Jacques Brel também cantada por Nina.
Mulher de fibra, recusou-se a viver em seu país de origem pois não aceitava continuar morando num lugar onde sua "raça" não era respeitada; cantou no enterro do pacifista Martin Luther King e sempre foi muito envolvida na questão do preconceito racial. “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963.
Foi pela batalha dos direitos civis que, segundo a própria, seus amigos se foram, dentre eles Stokely Carmichael, Malcolm X e Luther king. Apesar da sua força e determinaçao, na sua vida íntima, ela que era casada com um policial nova iorquino era espancada pelo próprio marido.
Nina compunha a lista das mulheres negras de belíssimas vozes do Jazz. Assim como ela, podemos citar Sarah Vaughan, Billie Holiday e Ella Fitzgerald. Essas que mudaram o cenário musical da época, revelaram o poderio da voz feminina e das mulheres no comando. Depois delas viriam muitas outras que se tornariam referência mundial, como Aretha Franklin e Etta james.
Em 21 de abril de 2003, aos 70 anos, Nina morre dormindo, de causas naturais, em sua casa de Carry-le-Rouet, no sul da frança. Assim como todo mundo, a cantora bem sucedida e reconhecida mundialmente, também tinha suas inseguranças, medos e fraquezas. Nina também era gente como a gente, mas era A Nina.

Gente como a gente se mobiliza!

Por Manuela Carvalho.

Gente como a gente está muito triste com a tragédia do Rio de Janeiro. Mais de 100 pessoas morreram por causa da intensa chuva

Resolvemos indicar o Blog do G1, se voce quiser acompanhar.


Se você quiser doar algo - ai vai uma dica:

Plantão por doações funciona 24 horas

A Secretaria municipal de Assistência Social fechou uma parceria com a Cruz Vermelha para receber doações para os desabrigados da chuva no município do Rio. Segundo a secretaria, o plantão está funcionando durante 24 horas e as doações devem ser entregues na Praça da Cruz Vermelha 10, no Centro do Rio.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Espirito da páscoa



Por Manuela Carvalho

Essa história só pode ser contada por mim, eu que a vivi!!! A alegria de viver a páscoa com a familia, amigos e namorado não tem preço. Sem eles o meu "coelhinho da páscoa" não é o mesmo.
Quando eu era criança, páscoa era sinônimo de CHOCOLATE e só!!! Eu pensava que ia passar o dia procurando o famoso coelhinho e ia comer chocolate até explodir.
Hoje em dia, já vejo diferente, prefiro NÃO comer chocolate até explodir ( obvio, senão eu viro uma baleia) e prefiro NÃO procurar coelhinho (por razões lógicas)

Nessa Páscoa:
Fui viajar para ilhabela com meu namorado e amigos, e voltei no Domingo de manhã (para que não eu não pegasse tanto congestionamento)e ainda conseguisse ver minha familia na Pascóa.
Acordei as 11 da manhã e fiquei parada no trânsito durante 8 horas. Chegando em São Paulo, eu entrei no meu quarto havia vários ovos de chocolate. E a alegria que vinha quando eu era pequena, não apareceu. Tentei passar o resto do dia com meus pais, mas eles já estavam deitados, quase dormindo. Conversei um pouco e só.

É, posso dizer que senti falta da minha familia na páscoa.. O verdadeiro motivo da páscoa